MPPI recomenda não remover estátua de São Francisco da igreja matriz de Piripiri

Documento pede que pároco evite modificações e assegure a proteção do patrimônio

O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) expediu recomendação ao pároco da Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, em Piripiri, para garantir a preservação da Igreja Matriz e de seu entorno. O documento, publicado na última quarta-feira (1º) pela 3ª Promotoria de Justiça do município, foi direcionado ao frei Antônio Leandro.

A medida ocorreu após representações de moradores insatisfeitos com a intenção do pároco de remover a estátua de São Francisco, instalada em frente ao Largo Nossa Senhora dos Remédios há mais de 20 anos. A proposta gerou reações contrárias da comunidade, que atribui à obra valor histórico, cultural e religioso.

Segundo o MPPI, as justificativas apresentadas para a retirada da escultura, como a de que a mudança ampliaria a visibilidade em celebrações, não procedem. Para o órgão, a manutenção da estátua não compromete os eventos religiosos e deve ser preservada em respeito à memória coletiva da população.

A recomendação também inclui a orientação para que não haja substituição da imagem original de Nossa Senhora dos Remédios por uma réplica. O documento ressalta que qualquer alteração em bens tombados precisa de autorização do órgão responsável. A Igreja Matriz de Piripiri é reconhecida como patrimônio histórico desde 2007, pelo Decreto Municipal nº 791.

O promotor de Justiça Nivaldo Ribeiro afirmou que a legislação sobre patrimônio deve ser aplicada de forma a garantir a máxima proteção do bem, incluindo seu conjunto arquitetônico e paisagístico. Ele destacou que os recursos que seriam usados na remoção poderiam ser destinados à restauração da estátua, reduzindo o risco de danos.

A obra foi criada pelo artista Deoclécio Soares Diniz, conhecido como “Mestre Bibi”, durante as comemorações dos 50 anos da chegada dos franciscanos a Piripiri.

O MPPI estabeleceu prazo para que o pároco se manifeste sobre o acatamento da recomendação. O órgão ressaltou que o documento tem caráter preventivo e que o descumprimento pode levar à adoção de medidas extrajudiciais ou judiciais.