Um homem de 28 anos está internado no Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), em Parnaíba, com suspeita de intoxicação por metanol.
De acordo com informações obtidas pela TV Cidade Verde, o paciente procurou atendimento na última quarta-feira (1º) após ingerir gin, apresentou sintomas e recebeu alta. Porém, voltou ao hospital nesta sexta-feira (3) devido à persistência do quadro, que incluía dores abdominais, vômitos e visão turva.
A direção do HEDA informou que deve divulgar nota oficial sobre o caso.
O que acontece com o corpo
Quando o metanol é ingerido, o organismo o transforma em substâncias tóxicas — formaldeído e ácido fórmico. Esses compostos podem provocar cegueira irreversível, lesões no sistema nervoso, insuficiência renal e até a morte. Os sintomas, em muitos casos, surgem horas após o consumo, o que dificulta o diagnóstico precoce.
O tratamento exige uso de antídotos endovenosos e, em situações mais graves, pode ser necessária a hemodiálise para retirar o metanol do organismo. Sobreviventes muitas vezes enfrentam sequelas como perda da visão, dificuldades motoras, danos cognitivos e necessidade de acompanhamento médico prolongado.
Como se proteger
Autoridades de saúde reforçam a importância de medidas preventivas, como:
- evitar bebidas sem registro na Anvisa ou de origem duvidosa;
- desconfiar de preços muito abaixo do mercado;
- dar preferência a estabelecimentos confiáveis;
- procurar atendimento médico imediato em caso de sintomas como visão turva, náuseas, vômitos, dor de cabeça intensa ou confusão mental após o consumo.
Situação em Teresina e medidas do Ministério da Saúde
A Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina informou que não há registros de casos suspeitos na capital, mas destacou que o sistema municipal está em alerta. O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância (CIEVS) prepara nota técnica sobre o manejo dos casos.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recomendou cautela no consumo de bebidas alcoólicas diante dos episódios recentes no Brasil. Segundo ele, é essencial verificar a procedência das bebidas e evitar líquidos incolores de origem duvidosa.
A Anvisa também lançou chamada pública para identificar fornecedores do fomepizol, medicamento específico contra intoxicação por metanol, que ainda não está disponível no Brasil.
Casos suspeitos de venda de bebidas adulteradas podem ser denunciados à Delegacia de Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Contra as Relações de Consumo (DECCOTERC) e ao PROCON.
