Tristeza, revolta e preocupação marcam reação ao fim dos contratos de monitores em Batalha

Decisão da Secretaria afeta monitores de sala e transporte escolar

O anúncio do encerramento dos contratos dos monitores escolares e do transporte escolar da rede municipal de Batalha gerou forte repercussão nesta quarta-feira (15). A decisão da Secretaria Municipal de Educação, tomada em cumprimento à Lei de Responsabilidade Fiscal, causou surpresa e provocou manifestações de tristeza, revolta e preocupação entre trabalhadores, gestores e pais de alunos.

Relatos expressam o sentimento de quem atuava no acompanhamento direto das crianças nas salas de aula e no transporte escolar. “Fiquei triste pelas minhas crianças, isso sim”, escreveu uma monitora. Outra destacou a dificuldade que os professores terão sem o apoio dos monitores: “Os professores não têm condições de ficar sozinhos em sala. Tem muitas crianças que precisam de monitor.”

A preocupação com a segurança no transporte escolar também foi apontada. “Acho impossível o transporte funcionar sem monitor. Tem crianças de dois anos que não conseguem descer do ônibus sozinhas. Os pais não vão aceitar isso”, disse outro relato.

Entre as principais queixas, além do encerramento dos contratos, estão os atrasos nos pagamentos. Os monitores afirmam que a falta de repasse das bolsas há vários meses trouxe dificuldades pessoais e levou alguns a desistirem do cargo. “Receber apenas em novembro e dezembro o que foi trabalhado em agosto, setembro e outubro é revoltante”, desabafou um deles.

Um dos monitores que deixou a função por causa dos atrasos enviou um depoimento direto ao Diário: “É revoltante e desumano receber uma notícia dessas. Trabalhamos com tanto esforço, cuidando das crianças, ajudando na rotina das escolas, e agora simplesmente somos descartados, como se fôssemos números em uma planilha. Cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal é necessário, mas e a responsabilidade com as pessoas? Somos pais, mães, gente que precisa desse salário.”

O anúncio, feito no mesmo dia em que se comemora o Dia do Professor, gerou ainda mais insatisfação entre profissionais da Educação. Uma gestora escolar relatou:

“Com muita insatisfação recebemos essa triste notícia justamente hoje. Cada monitor vê no professor uma figura de respeito e aprende com ele. Eles são as segundas pessoas mais essenciais na escola, depois do professor. É lamentável viver essa situação no dia em que deveríamos estar celebrando a Educação.”

Entre as famílias, o clima também é de apreensão. Uma mãe de aluno afirmou que não permitirá que o filho use o transporte sem a presença de monitor.

“Enquanto não contratarem monitores novos, meu filho não vai ao colégio. A segurança dele vem em primeiro lugar”, declarou.

A decisão da Secretaria foi comunicada por meio de nota, que prevê o pagamento dos valores em atraso referentes a agosto, setembro e aos 15 dias trabalhados de outubro em duas parcelas: a primeira no dia 11 de novembro e a segunda no dia 11 de dezembro.

Entenda o caso

A Secretaria Municipal de Educação de Batalha anunciou nesta quarta-feira (15) o encerramento dos contratos dos monitores escolares e do transporte escolar. Segundo o secretário Elvis Machado, a medida foi adotada em cumprimento à Lei de Responsabilidade Fiscal, após o município atingir o limite prudencial de despesas com pessoal.

Secretaria Municipal de Educação | Foto: Arquivo/DC

Em setembro, o Diário de Caraíbas havia registrado relatos de monitores voluntários do Programa Bolsa Monitoria Voluntária sobre o atraso nas bolsas, o que levou alguns a deixarem os cargos. À época, o secretário de Educação informou que o aumento no número de alunos da rede impactou os repasses federais, que só devem ser atualizados em 2026.

A Secretaria informou que a recontratação dos profissionais está prevista para o início do ano letivo de 2026, com retorno programado para 2 de fevereiro.