O domingo começa cedo no interior, com a missa matinal. Depois, cada um vai para sua casa, iniciando aquela calmaria típica do dia. Não é aquele silêncio pesado, de solidão — é o sossego que vem depois da pressa da semana. A cidade parece cochilar. As ruas, que ontem estavam cheias de veículos, risadas e conversas apressadas, amanhecem vazias. Até o cachorro da esquina parece mais calmo, deitado à sombra, sem muita pressa de latir pra nada.
As praças ficam ali, quase esquecidas, com bancos que esperam alguém que não vem. O bar do centro fecha mais cedo, o mercado só até o meio-dia (e as vezes nem isso), e o som que mais se escuta é o das panelas vindo das casas — um almoço mais demorado, talvez com parente que veio para visitar. Domingo tem esse costume: juntar o povo e, ao mesmo tempo, espalhar cada um no seu canto.
É engraçado como o tempo parece se alongar e ao mesmo tempo se apressar nesse dia. A gente faz tudo devagar, como se tivesse medo de acordar a segunda-feira que dorme logo ali, atrás do entardecer. E quando o sol começa a cair, a cidade dá sinais de que está voltando à vida: alguém liga o som, outro passa de moto, o cheiro de churrasquinho toma a rua. É o domingo dizendo “tô indo”, enquanto a segunda ensaia seu “cheguei”.
No fim das contas, o domingo é isso: um intervalo entre o cansaço e a esperança. Um dia que parece não acontecer, mas que, de algum jeito, acontece dentro da gente. Só que ele também passa rápido — voa, na verdade. Quando a noite chega, vem aquele sentimento que ninguém sabe explicar direito: uma mistura de ansiedade pela semana que começa, a sensação de não ter descansado o bastante e, quem sabe, uma vontade antecipada de esperar o próximo fim de semana.
E o ciclo recomeça, onde o sossego de hoje será a memória que sustenta a correria de amanhã.
