Piauiense retorna ao Brasil após lutar na guerra da Ucrânia

Natural de Pedro II, Ronaldo Silva serviu ao exército ucraniano por quase três meses

O piauiense Ronaldo Silva, de 35 anos, natural de Pedro II, retornou ao Brasil após quase três meses lutando na Guerra Russo-Ucraniana. Ele havia se alistado para servir ao exército ucraniano e passou por um processo de preparação antes de chegar ao país.

Segundo Ronaldo, o período até conseguir integrar as forças ucranianas levou cerca de seis meses. Após retornar ao Piauí, ele reencontrou familiares e relatou a emoção do momento vivido ao chegar em casa depois da experiência no conflito.

“Quando cheguei, a família estava toda reunida. Foi quando a ficha caiu, agradecendo por eu voltar. Para mim, era meu trabalho, mas não sabia que minha família estava sofrendo tanto”, relatou.

Foto: Arquivo pessoal

Ele afirmou que conseguiu retornar ao Brasil em segurança após o período de atuação no conflito. “Consegui voltar em paz”, disse o ex-militar ao comentar o reencontro com familiares após o retorno ao estado.

Ronaldo também informou que pretende retomar o trabalho em navios de cruzeiro, atividade que exercia antes de se alistar para atuar no conflito internacional.

“Vou retomar meu antigo trabalho, mas antes vou treinar um pouco para tirar o estresse desse período”, afirmou.

A irmã de Ronaldo, Adriana da Silva, afirmou que a notícia do retorno foi recebida com alegria e alívio pela família, que acompanhou o período de ausência com preocupação.

“Não sabíamos que ele tinha ido, mas foi uma grande alegria. Desenvolvi problemas de pressão e agora tomo remédio, porque ficamos muito tristes com ele lá”, relatou.

Segundo Adriana, a família temia pelo pior diante das notícias sobre o conflito. “Sempre pensávamos o pior. Agora o choro é só de emoção”, disse.

Antes de ir ao conflito, Ronaldo trabalhava há cerca de dois anos em navios de cruzeiro. Ele decidiu se alistar após acompanhar vídeos sobre a guerra e ter contato com ucranianos durante o período em que trabalhava no exterior.

A primeira tentativa de chegar ao país ocorreu quando ele comprou a passagem por conta própria. O trajeto incluiu deslocamento do Piauí a São Paulo, depois para a Colômbia e, durante uma parada em Londres, ele acabou sendo deportado.

Posteriormente, uma brigada assumiu a responsabilidade pela viagem e pelo processo de documentação. Ronaldo passou mais de vinte dias realizando exames e procedimentos até ser aceito para integrar as forças ucranianas.

Ele chegou à linha de frente no dia 15 de dezembro de 2025 e, segundo relato, foi imediatamente colocado em missão após a chegada ao local do conflito.

O piauiense também descreveu situações vividas durante o período de combate, incluindo ataques com drones, presença de minas e operações noturnas realizadas com equipamentos de visão infravermelha.