A escalada do conflito no Oriente Médio, com a entrada dos Estados Unidos e ataques a instalações nucleares no Irã, pode provocar impactos diretos na economia mundial — inclusive no Brasil. Segundo analistas, o principal efeito imediato é a alta do preço do petróleo, o que tende a pressionar os combustíveis, o dólar e, por consequência, a inflação no país.
Após os recentes ataques entre Irã, Israel e agora com a intervenção americana, o barril do petróleo registrou alta de 5% no mercado internacional. A preocupação dos investidores é com a possibilidade de interrupção na produção e no transporte da commodity, já que a região concentra parte significativa do abastecimento global.
Para o Brasil, que depende do petróleo para abastecer o mercado interno com gasolina e diesel, um aumento persistente nos preços pode refletir diretamente nos postos. Além disso, o diesel é utilizado no transporte de cargas, e qualquer variação no seu preço afeta a cadeia logística, elevando o custo de produtos como alimentos e bebidas.
Outro reflexo esperado é na cotação do dólar. Em momentos de instabilidade internacional, investidores costumam migrar recursos para mercados considerados mais seguros, como o dos Estados Unidos. Com isso, há uma saída de capital de países emergentes, como o Brasil, o que pode fortalecer ainda mais a moeda norte-americana por aqui. A valorização do dólar também influencia o preço de produtos importados, pressionando a inflação.
Segundo especialistas, a inflação tende a reagir rapidamente em cenários assim, principalmente devido ao peso dos combustíveis no índice oficial (IPCA). Embora a Petrobras tenha margem para segurar os preços por algum tempo, analistas alertam que uma guerra prolongada pode dificultar essa estratégia.
