Igreja Católica Apostólica Brasileira contesta nota da Arquidiocese de Teresina

Instituição afirma que não busca reconhecimento da Igreja Romana, mas cobra respeito

A Missão Piauí da Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB) divulgou uma nota pública em resposta ao posicionamento da Arquidiocese de Teresina sobre a atuação de ex-padres fora da Igreja Católica Apostólica Romana. O comunicado rebate pontos da nota arquidiocesana, divulgada no último dia 11, e defende a legitimidade das práticas religiosas exercidas por seus sacerdotes.

Segundo a ICAB, a nota da Arquidiocese foi considerada desrespeitosa por envolver nomes de ex-sacerdotes que hoje estão ligados à Igreja Brasileira, e que, segundo a entidade, exercem seu ministério dentro dos limites garantidos pela Constituição. A ICAB destaca que o Brasil é um Estado laico e que o artigo 5º da Constituição assegura a liberdade de crença, bem como a inviolabilidade da imagem e da honra.

A nota rebate a ideia de que a utilização dos termos “Católica” e “Apostólica” seria exclusiva da Igreja Romana, afirmando que essas palavras remetem a conceitos universais e históricos do cristianismo. “Não estamos ligados ao Papa, e nem buscamos estar. Nossa comunhão é com Nosso Senhor Jesus Cristo”, afirma o texto.

A ICAB também rejeita o uso do termo “ex-padre” e cita o próprio Catecismo da Igreja Católica Apostólica Romana, que reconhece o caráter espiritual indelével conferido pelo sacramento da Ordem. “Quem foi ordenado, permanece sacerdote para sempre”, pontua a nota, citando ainda textos bíblicos e documentos históricos para argumentar a validade sacramental de suas celebrações.

Além de defender a legitimidade de sua atuação, a Igreja Católica Brasileira reforça que seus cultos são sempre identificados com clareza, que os fiéis participam de forma consciente e voluntária, e que não há intenção de causar confusão ou se passar pela instituição romana. “Somos uma igreja independente, com liturgia, livros e ritos próprios”, afirma.

A nota termina pedindo respeito às famílias dos religiosos citados e informa que, diante do que considera exposição indevida, a instituição avaliará medidas jurídicas cabíveis. Atualmente, a ICAB afirma ter atuação em praticamente todos os estados do país e está presente no Piauí desde 2014, com cinco padres em missão no estado.