Piauí deve perder R$ 32 milhões com tarifa dos EUA sobre exportações brasileiras

Estado está entre os menos impactados do país, mas efeito em cadeia preocupa setor industrial

O Piauí deve perder cerca de R$ 32 milhões em exportações com a nova tarifa imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A medida, que entra em vigor nesta quinta-feira (1º), afeta principalmente a indústria de transformação, setor que lidera o comércio exterior do Brasil com o mercado norte-americano.

Embora o valor coloque o estado entre os cinco menos afetados do país, o impacto é considerado relevante e sinaliza possíveis efeitos indiretos nas cadeias produtivas locais e regionais. No total, as perdas nacionais podem ultrapassar os R$ 19 bilhões.

Além do Piauí, os estados com menores prejuízos previstos são Roraima (R$ 13 milhões), Sergipe (R$ 30 milhões), Acre (R$ 31 milhões) e Amapá (R$ 36 milhões). Já São Paulo, com R$ 4,4 bilhões, lidera a lista dos mais prejudicados, seguido por Rio Grande do Sul (R$ 1,9 bilhão) e Paraná (R$ 1,9 bilhão).

Setores como alimentos processados, metalurgia, couro e calçados estão entre os mais penalizados com o aumento das tarifas. Apesar de o Piauí ter uma pauta exportadora menos dependente desses segmentos, especialistas alertam para impactos indiretos, como maior concorrência em outros mercados internacionais e desequilíbrios na balança comercial.

“Expressivo e injustificável”, diz CNI

O presidente da CNI, Ricardo Alban, criticou duramente a medida adotada pelos Estados Unidos. Segundo ele, o aumento tarifário compromete a competitividade das exportações brasileiras e prejudica setores produtivos estratégicos.

“A imposição do expressivo e injustificável aumento das tarifas americanas traz impactos significativos para a economia nacional. Há estados em que o mercado americano é destino de quase metade das exportações. Os impactos são muito preocupantes”, avaliou Alban.

Menor dependência do mercado americano ameniza impacto

Um dos fatores que explicam o impacto mais brando no Piauí é a sua menor dependência das exportações para os Estados Unidos. Diferentemente de estados como Ceará, onde os EUA representaram 44,9% das exportações em 2024, ou do Espírito Santo (28,6%) e Paraíba (21,6%), o Piauí tem sua economia externa mais voltada para commodities agrícolas e energias renováveis.

Essa configuração oferece uma espécie de blindagem parcial diante de oscilações do mercado industrial norte-americano. Ainda assim, representantes do setor produtivo local alertam que o contexto internacional exige atenção e políticas que fortaleçam a competitividade do estado em outros mercados.