Atos de 7 de Setembro expõem polarização entre direita e esquerda no país

Bolsonaristas pediram anistia, enquanto movimentos sociais defenderam soberania nacional

O feriado de 7 de Setembro foi marcado por manifestações em várias capitais do Brasil, revelando novamente a divisão política no país. Grupos da direita, em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pediram anistia e liberdade para os condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, enquanto movimentos sociais e partidos de esquerda ocuparam as ruas em defesa de justiça social, soberania nacional e redução das desigualdades.

Atos da direita

Em Brasília, apoiadores de Bolsonaro se concentraram em frente à Esplanada, em ato que contou com a presença de parlamentares como Jaime Bagattoli (PL-RO), Zé Trovão (PL-SC), Mario Frias (PL-SP), Alberto Fraga (PL-DF), Damares Alves (Republicanos-DF) e Bia Kicis (PL-DF).

Os discursos foram voltados contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o julgamento da “trama golpista”. “Bolsonaro não cometeu nenhum crime. Eleição sem Bolsonaro é golpe”, disse Mario Frias. Já Bia Kicis declarou: “Somos a voz do Bolsonaro. Somos o exército da liberdade e justiça”.

No Rio de Janeiro, a manifestação ocorreu em Copacabana, com bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e o governador Cláudio Castro (PL-RJ) marcaram presença. Flávio classificou o ato como uma resposta política ao Supremo.

Em São Paulo, apoiadores se reuniram na Avenida Paulista, reforçando críticas ao Judiciário e pedindo liberdade para os presos pelos atos antidemocráticos.

Atos da esquerda

Do outro lado do espectro político, o Grito dos Excluídos reuniu milhares em cidades como Brasília e São Paulo. Na capital federal, a caminhada saiu do Setor Bancário Sul em direção à Praça Zumbi dos Palmares, no Conic, sob o tema “Vida em Primeiro Lugar”.

As pautas incluíram redução da jornada de trabalho para 6×1, plebiscito popular, atenção a idosos, mulheres, negros e pessoas em situação de rua. Além dos discursos, houve atividades culturais com música, poesia, capoeira e teatro.

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) participou do ato em Brasília com o filho no colo, ao lado da esposa, a deputada Samia Bonfim (PSOL-SP), que esteve no ato em São Paulo. “Quem tem a capacidade de definir o rumo do nosso país são aqueles e aquelas que escolhem as ruas como instrumento principal de luta”, declarou Glauber.

Em São Paulo, as manifestações se concentraram na Praça da República e na Praça da Sé, com ênfase em políticas sociais e combate à fome. Lideranças como Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Luiz Marinho (PT-SP) marcaram presença. Foram defendidas medidas como isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a redução da jornada de trabalho sem corte salarial.

Faixas com frases como “Todas as formas de vida importam, mas quem se importa?” e “Liberdade religiosa” sintetizaram o tom das manifestações.