O problema do abastecimento de água em Batalha tem se tornado cada vez mais presente na rotina da população. Famílias da zona rural e da área urbana relatam dificuldades constantes para ter acesso ao recurso, situação que se agrava durante o período seco e quente conhecido como B-R-O Bró, quando a demanda cresce e as reservas diminuem.
Na localidade Poção III, zona rural, um morador contou que a água chega de forma irregular, principalmente no verão. “Na minha casa só vem água em torno de 70% no inverno. No verão, é raro, às vezes passamos mais de um mês sem uma gota. Já cavaram um novo poço e instalaram caixas, mas não resolveu para todos. Quem mora mais distante continua sem abastecimento regular”, relatou.
Em Currais, também na zona rural, a situação é semelhante. Uma moradora, que preferiu não se identificar, afirmou que a comunidade está há meses sem água nos chafarizes locais. “Os responsáveis dizem que há água, mas não chega nas torneiras. Muitas famílias estão dependendo de cisternas, que já começam a secar. Para lavar roupas, há quem precise ir até outras localidades”, disse.
No povoado Bela Vista, moradores reclamam de racionamento e da cobrança no fornecimento. A bomba que abastece a comunidade funciona apenas em horários definidos: das 6h às 12h e das 15h às 20h. “A gente paga caro e ainda tem hora para usar. Se ultrapassar 10 metros cúbicos, a conta sobe. Já cheguei a pagar R$ 71,40 por 12 metros”, relatou uma usuária.
Já na comunidade Carpina I, a população aguarda há cerca de seis anos pela conclusão da rede de encanação de um poço artesiano perfurado. Parte dos moradores improvisou ligações próprias, mas quem vive mais distante precisa buscar água manualmente. “Um poço antigo foi danificado, e o novo não foi concluído. Já pedimos providências, mas até agora não houve resposta”, afirmou um morador.
Na zona urbana, bairros como Vila Kolping e Pedra do Letreiro aparecem entre os mais afetados. A falta de pressão na rede provoca longos períodos sem água nas residências. Além disso, moradores relatam que as faltas constantes também estão ligadas a manutenções realizadas tanto pela concessionária Águas do Piauí quanto pela Equatorial Piauí, o que agrava a instabilidade do fornecimento.
Em reunião realizada na Câmara Municipal no início de setembro, vereadores e representantes da Águas do Piauí discutiram a instalação de bombas e boosters para ampliar a vazão, além da necessidade de reparos adequados após intervenções da empresa.
O tema não é novo. Em março, vereadores já haviam aprovado requerimento para a realização de uma audiência pública sobre o abastecimento. A expectativa era reunir representantes da empresa, do Ministério Público e da sociedade civil para debater soluções.
Enquanto medidas mais amplas não são implementadas, comunidades de diferentes pontos de Batalha seguem convivendo com torneiras secas, racionamento e improvisos. O Diário de Caraíbas deixa espaço aberto para que a Águas do Piauí, a Equatorial Piauí e a gestão municipal possam apresentar esclarecimentos e soluções para os problemas relatados.
