No mesmo 19 de outubro em que o Piauí celebra sua história, Batalha também tem um motivo a mais para recordar: nesta data, nascia Maria Antônia Pereira Soares, a Toinha Soares, mulher que transformou amor e talento em símbolo. Foi dela o traço original que deu vida à bandeira do município, criada em 1979.
Toinha era filha do sertão, como o próprio Piauí que hoje se celebra. Mulher, negra, batalhense, artista autodidata. Não teve acesso à universidade, mas tinha o dom de ver o belo nas coisas simples. “Em cada trabalho que faço, é um pedacinho de mim”, escreveu certa vez — e talvez por isso, em cada linha da bandeira, ainda exista algo dela.

Naquele final de década de 1970, o município de Batalha abriu um concurso para escolher seus símbolos oficiais. Toinha apresentou um desenho feito à mão, em papel comum, que com o tempo amarelou, mas jamais perdeu o brilho. O projeto trazia harmonia, geometria e sentido. Inspirou-se nas bandeiras do Brasil e do Piauí, mas soube dar identidade própria à terra natal.

O verde das matas e da esperança. O amarelo do sol e da riqueza. O azul do céu batalhense. E o branco da paz que todos buscam. No centro, o mapa de Batalha exibe os elementos que marcaram a história local: a carnaúba, a cana-de-açúcar e a ametista — riquezas naturais que sustentaram gerações e seguem simbolizando o trabalho e o futuro da cidade.
“Um símbolo sempre congrega e comunica. Toinha foi ousada ao desenhar o símbolo máximo da cidade de Batalha”, escreveu o padre Leonardo de Sales, reconhecendo na artista uma referência necessária.
Hoje, mais de quatro décadas depois, sua criação tremula em cada evento cívico, em cada hasteamento. E embora Toinha tenha partido cedo — vítima de um acidente em 2001, aos 43 anos —, sua arte continua viva.
Neste Dia do Piauí, celebrar a bandeira de Batalha é também celebrar o que há de mais bonito na identidade piauiense: a força de um povo que cria, luta e se reconhece nas cores de sua própria história.
E como diz o hino do município:
“Ó filha do sertão deste Brasil, plantada nos rincões do Piauí, És bela, forte, impávida, és viril, orgulho dos que nascem por aqui.”
***As informações desta publicação foram baseadas no livro “Batalha: Conhecendo o meu município” (Editora Meta, 2022), de Geoge Machado Tabatinga e colaboradores; no artigo “Toinha Soares na estética da cidadania: uma pesquisa reflexiva em artes” (UFPI, 2013), de Sirlene Caxias; e em depoimentos do padre Leonardo de Sales sobre a artista.
