Casal acusado de envenenar dez pessoas será julgado por júri popular no Piauí

Francisco de Assis e Maria dos Aflitos são apontados por 24 crimes

O juiz Willmann Izac Ramos Santos, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Parnaíba, decidiu nessa terça-feira (21) que Francisco de Assis Pereira da Costa e Maria dos Aflitos da Silva serão levados a julgamento pelo Tribunal do Júri. O casal é acusado de envenenar e matar dez pessoas — entre familiares e vizinhos — utilizando uma substância conhecida como “chumbinho”, no município de Parnaíba, litoral do Piauí.

De acordo com o Ministério Público do Piauí (MPPI), os crimes teriam ocorrido entre 22 de agosto de 2024 e 22 de janeiro de 2025. As investigações apontam que o casal colocava o veneno em sucos e alimentos consumidos por crianças e adultos da própria família. Nove pessoas morreram e três foram vítimas de tentativa de homicídio. Apenas duas sobreviveram.

Laudos periciais confirmaram a presença da substância tóxica nas vísceras das vítimas e nos alimentos ingeridos. Ao analisar o caso, o magistrado concluiu que há provas da materialidade dos crimes e indícios suficientes de autoria, determinando o envio do processo ao júri popular.

“Há prova da materialidade e indícios suficientes de autoria, razão pela qual deve o feito ser submetido ao Tribunal do Júri, órgão competente para julgar os crimes dolosos contra a vida”, destacou o juiz na decisão.

Acusações contra os réus

Francisco de Assis Pereira da Costa responderá por:

  • Dois homicídios qualificados pelas mortes dos netos Ulisses Gabriel Silva e João Miguel Silva, de 8 e 7 anos;
  • Um homicídio qualificado pela morte de Manoel Leandro da Silva;
  • Um homicídio qualificado pela morte de Igno Davi da Silva;
  • Três feminicídios majorados — Maria Lauane da Silva, Maria Gabriele Silva e Francisca Maria da Silva — cometidos com uso de veneno e sem possibilidade de defesa das vítimas;
  • Três tentativas de homicídio contra Maria Jocilene da Silva, Lívia Maria Leandra Silva e Jhonatan Nalbert Pereira da Silva;
  • Fraude processual;
  • Denunciação caluniosa, por supostamente tentar incriminar uma vizinha.

Maria dos Aflitos da Silva responderá por:

  • Dois homicídios qualificados por omissão imprópria, pelas mortes dos netos Ulisses Gabriel e João Miguel;
  • Um homicídio qualificado por omissão pela morte do filho Manoel Leandro da Silva;
  • Um homicídio qualificado por omissão pela morte de Igno Davi da Silva;
  • Três feminicídios majorados por omissão (Maria Lauane, Maria Gabriele e Francisca Maria);
  • Três tentativas de homicídio (Maria Jocilene, Lívia Maria e Jhonatan Nalbert);
  • Um feminicídio majorado consumado, pela morte de Maria Jocilene da Silva, em janeiro de 2025;
  • Denunciação caluniosa, por ter acusado falsamente uma vizinha.

Ao todo, os dois serão julgados por 24 crimes, incluindo homicídios qualificados, feminicídios majorados, tentativas de homicídio, fraude processual e denunciação caluniosa. O juiz manteve a prisão preventiva do casal, que está detido desde janeiro deste ano.

O caso

O processo investiga o envenenamento de dez pessoas, com oito mortes confirmadas. Sete das vítimas eram da mesma família e uma era vizinha. Outras duas sobreviveram, o que levou a acusações também por tentativa de homicídio.

Os crimes são atribuídos a Maria dos Aflitos da Silva, apontada como principal acusada, a Francisco de Assis e a Francisco de Assis Pereira da Costa. Eles respondem por oito homicídios qualificados e três tentativas de homicídio.

Cronologia das mortes

  • 22 de agosto de 2024: Ulisses Gabriel (8 anos) e João Miguel (7 anos), netos de Maria dos Aflitos, morreram envenenados. Inicialmente, a vizinha Lucélia Maria foi presa, mas a investigação apontou que o crime teria sido articulado por Maria e Francisco de Assis.
  • 1º de janeiro de 2025: Veneno foi colocado no arroz servido em almoço da família. Morreram Manoel Leandro (18 anos), filho de Maria; Maria Lauane (3 anos), Maria Gabriele (4 anos) e Igno Davi (1 ano), netos da acusada; além de Francisca Maria (32 anos), filha da ré e mãe das crianças.
  • 22 de janeiro de 2025: Maria Jocilene da Silva (41 anos), ex-nora de Maria, também morreu após ser envenenada. A polícia afirma que ela tinha relacionamento com a acusada.

As sobreviventes foram Maria Jocilene, vítima de tentativa anterior em 1º de janeiro, e as crianças Lívia Maria Leandra (17 anos) e Jhonatan Nalbert (7 anos).

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