A Operação Carbono Oculto 86, deflagrada nessa quarta-feira (5) pela Polícia Civil, pode resultar na recuperação de cerca de R$ 20 milhões desviados do erário por meio de fraudes fiscais e financeiras. A ação investiga adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro com atuação direta de uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Piauí.
De acordo com a Secretaria da Fazenda (Sefaz-PI), que participou das investigações, os valores correspondem a impostos não recolhidos e operações fraudulentas detectadas em auditorias fiscais. A pasta informou nesta quinta-feira (6) que a estimativa foi feita pela Unidade de Fiscalização de Empresas (Unifis) em parceria com o Grupo Interinstitucional de Combate aos Crimes Contra a Ordem Tributária (Grincot).
O trabalho conjunto permitiu identificar empresas de fachada, emissão de notas fiscais falsas e movimentações financeiras incompatíveis com o faturamento declarado. A Sefaz também constatou que postos de combustíveis atuavam no Piauí sem autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O grupo sob investigação teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão com lavagem de capitais.
A Secretaria abriu 15 ordens de fiscalização contra empresas envolvidas e solicitou a quebra de sigilo bancário dos investigados. Uma auditoria patrimonial também será conduzida para apurar a origem dos bens. Caso as irregularidades sejam confirmadas, as inscrições estaduais poderão ser canceladas, impedindo a continuidade das atividades.
O diretor da Unifis, Edson Marques, explicou que o monitoramento começou em 2023. “Essa investigação acompanhou a atuação das empresas envolvidas desde o início. Analisamos documentos fiscais, declarações e relatórios de notas eletrônicas emitidas e recebidas, o que permitiu identificar a estrutura do esquema”, afirmou.
Entre as empresas citadas no inquérito estão Prima Energia e Participações Ltda, Mind Energy Participações Ltda, Rede Diamante (CNPX Diamante Nice Participações Ltda), além de fundos e fintechs como Altinvest, Jersey FIP, GGX Global Participações, Duvale Distribuidora e Copape Produtos de Petróleo.
Os empresários Haran Santhiago Girão Sampaio, Danillo Coelho Sousa, Moisés Eduardo Soares Pereira, Salatiel Soido de Araújo, Denis Alexandre Jotesso Villani e Rogério Garcia Peres estão entre os investigados.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 348 milhões em bens e valores.
A Operação Carbono Oculto 86, coordenada pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), investiga um esquema interestadual de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis no Piauí, Maranhão e Tocantins. No Estado, 49 estabelecimentos foram interditados, e materiais eletrônicos e documentos foram apreendidos.
As autoridades afirmam que o objetivo é recuperar os valores desviados e interromper o funcionamento da estrutura financeira do PCC na região.
