Raene Gonçalves transforma paixão por bolos em empreendedorismo em Caraíbas

Jovem concilia faculdade de Nutrição e produção de bolos na comunidade rural

A série Elas Inspiram, do Diário de Caraíbas, apresenta histórias de mulheres de Caraíbas II que encontraram no próprio talento o caminho para empreender. Na primeira reportagem, conheça a trajetória de Raene Gonçalves Nascimento, jovem confeiteira da comunidade que encontrou nos bolos uma forma de expressão, renda e propósito.

Moradora de Caraíbas II e estudante de Nutrição, Raene cresceu observando a mãe confeitar para aniversários da família e para clientes. A curiosidade virou aprendizado — primeiro ajudando na estrutura dos bolos, depois nos recheios e coberturas, até assumir sozinha a produção durante a pandemia, em 2020. Foi também nesse período que ela começou a investir em materiais. “Minha primeira encomenda era da minha mãe, mas fui eu quem executou o trabalho”, lembra.

O primeiro bolo | Foto: Arquivo pessoal

A rotina, no entanto, é intensa. Dividida entre estudos em outra cidade e a demanda por encomendas, Raene organiza sua rotina em uma agenda diária, antecipando produções quando necessário. Há situações em que precisa recusar pedidos para não comprometer as aulas. “Ainda assim, tenho conseguido equilibrar bem, especialmente por ser semipresencial, o que facilita ajustar horários de estudo”, explica.

“Eu mandei essa foto porque nesse dia eu confeitei esse bolo, entreguei para o cliente e de lá fui direto para a faculdade.” — contou Raene, descrevendo uma das rotinas que vive com frequência.

A formação em Nutrição influencia sua visão sobre o próprio trabalho, mas de maneira indireta. Para ela, confeitaria e nutrição dialogam sobretudo na compreensão dos excessos alimentares e na busca por alternativas mais naturais e funcionais no futuro. “Talvez um dia seja possível aproximar as duas áreas, com receitas menos industrializadas”, projeta.

Trabalhar com bolos na zona rural também traz desafios — e o principal deles é a desvalorização. Os custos crescentes dos ingredientes, a necessidade de manter preços acessíveis e a dedicação total a cada encomenda exigem disciplina e resistência emocional.

“Como confeiteira, adoecer de última hora não é opção. É um trabalho que exige 100% de mim”, afirma.

Apesar disso, a receptividade sempre foi positiva. Muitos dos clientes da mãe continuaram com ela, e a demanda cresceu antes mesmo de existir um perfil comercial.

“Recebia cinco encomendas para um único dia. As pessoas acreditavam no meu potencial mais do que eu”, conta.

Para este fim de ano, Raene espera uma agenda mais enxuta devido às demandas finais da graduação — TCC, estágios e preparação para a formatura. As encomendas seguem abertas principalmente para fins de semana. (conheça aqui)

Os planos para o futuro envolvem ampliar o negócio. A criação de um ateliê de bolos está no horizonte, assim como a possibilidade de atuar profissionalmente como nutricionista, com foco no público infantil.

“Acredito que hábitos saudáveis começam na infância. Promover isso é meu sonho.”

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Aos jovens que desejam empreender mesmo com pouco tempo, Raene deixa um conselho:

“Tenha fé em Deus. Nem todos os dias são fáceis, por isso organização e apoio fazem diferença. Boas amizades e a família ajudam a não desistir. Não abandone aquilo que Deus lhe deu como dom.”