A história da presença evangélica em Batalha começou há 66 anos, em dezembro de 1959, num contexto marcado por tensões dentro da própria paróquia católica local. Naquele período, um conflito envolvendo o então responsável pela paróquia, Frei Solano Kühn, resultou na interrupção do festejo de São Gonçalo e na saída do religioso da cidade, episódio que gerou grande repercussão entre os moradores.


Sem conhecimento desses acontecimentos, os missionários Wesley Gould e Edmund (Edmundo) Norwood, naturais de Belfast, Irlanda do Norte, chegaram a Batalha vindo de Piracuruca, acompanhados de um pequeno grupo de fiéis. Naquela noite, realizaram um culto na praça pública — um momento que, segundo relatos históricos, atraiu grande atenção da população.
A mensagem foi pregada em meio à curiosidade do público e, posteriormente, à resistência de setores católicos liderados pelo padre Oséias Lopes de Mesquita, que tentou impedir as reuniões. Ainda assim, os missionários continuaram visitando o município e iniciaram o trabalho que se tornaria permanente.

O pastor José Lucimar da Rocha, hoje com 78 anos, é um dos principais guardiões dessa memória. Ele relembra que o primeiro culto aconteceu na Praça da Sapucaieira, em uma cidade sem calçamento e com escassez de sacerdotes na região.
“Eles chegaram pela tarde para realizar um culto. O padre Oséas fez uma procissão para interromper o culto. Foi uma agressão muito grande, mas ele não conseguiu acabar o culto”, afirma.

Com a continuidade das visitas missionárias, um pequeno grupo de moradores passou a se reunir regularmente. Em 6 de junho de 1963, ocorreu o primeiro batismo registrado da comunidade evangélica local. Nos anos seguintes, obreiros como Manoel e Maria Guimarães (1961–1964) e José e Edite Oliveira (1965–1966) auxiliaram na organização da congregação, que permanecia sob jurisdição da Igreja Cristã Evangélica de Piracuruca.

O templo atual da igreja foi construído em 1967, com apoio direto do missionário Edmundo Norwood — estrutura que, mais tarde, receberia reformas para atender ao crescimento da comunidade.
A congregação batalhense se tornou igreja emancipada em 6 de dezembro de 1987, durante a gestão do pastor Valmir Alencar. Pouco depois, em 1988, o então pastor de Teresina José Lucimar da Rocha, que já acompanhava a congregação como filho da igreja e formado pelo Seminário Cristão Evangélico do Norte, assumiu oficialmente a liderança local. Desde então, conduziu um período de expansão e fortalecimento da comunidade.

Com 52 anos de vida ministerial, sendo 36 deles dedicados a Batalha, Lucimar acompanhou transformações profundas na relação da cidade com os evangélicos.
“Muita coisa mudou. Nos primeiros dias, tudo foi mais difícil. Hoje somos vistos de maneira tão diferente. A cidade tem muitas igrejas de denominações diferentes, e os padres têm comigo um relacionamento de amizade cristã muito grande”, diz.
Ele também recorda os desafios enfrentados no passado, especialmente marcados por preconceitos mútuos. “Houve muito preconceito dos católicos para com os crentes e também dos crentes mal orientados para com os católicos. Eu não vejo assim o exemplo de Jesus”, afirma.
O pastor reforça que o papel da igreja hoje passa por responsabilidade e acolhimento: “A igreja tem de ser exemplo de fé, amor e tolerância para com os que não acreditam como eu. Temos de saber respeitar as igrejas alheias e acolher a todos com o exemplo de Cristo.”

Nos dias 13 e 14 de dezembro, a igreja celebrará os 66 anos da chegada dos missionários que inauguraram a caminhada evangélica no município, numa programação voltada para memória, gratidão e reafirmação da fé que marcou a história local.
