A Francimária Cunha Sousa é conhecida do público como Nega Show, nome artístico que hoje representa uma trajetória construída com persistência, identidade e amor pela música. Cantora de forró, ela é uma das artistas locais mais atuantes de Batalha e, recentemente, recebeu o título de Artista Local do Ano no Melhores do Ano 2025 do Diário de Caraíbas.
A relação com a música começou cedo. Ainda criança, Francimária já se imaginava cantando, criando clipes e ocupando os palcos que via na televisão.
“Eu sempre gostei de cantar. Desde pequenininha, eu cantava pelos cantos, me imaginava fazendo clipes, aquilo sempre me fascinou”, relembra.
Ela chegou ao Piauí ainda criança e teve os primeiros contatos diretos com o palco ao participar de shows de calouros, experiência que ajudou a fortalecer o desejo de seguir carreira artística.
“Todos os shows de calouros que eu participei, eu ganhei. Isso foi me dando mais gás, mais certeza de que era isso que eu queria”, conta.
Foi nesse retorno ao Piauí que o forró passou a ocupar um espaço definitivo em sua identidade artística. “Quando eu voltei, me apaixonei pelo forró. É algo contagiante, dançante, que canta o amor. Eu me vi ali”, afirma.
Ao longo dos anos, Nega Show passou por diferentes bandas em Esperantina e Batalha, até integrar por cerca de sete a oito anos o grupo Os Originais do Forró, fase que ela considera decisiva para seu amadurecimento musical. Após a maternidade e novas experiências, decidiu seguir carreira própria, dando início ao projeto que hoje leva seu nome artístico.
Identidade e repertório
O Forró das Antigas se tornou uma marca registrada da artista, embora o repertório da banda seja amplo e adaptável aos diferentes públicos.
“Hoje a gente trabalha com todos os ritmos: do piseiro ao forrozão, da seresta às músicas-baile. Mas o forró é o que traz mais energia, empolga mais”, explica.
A banda é formada por Chiquim da Guitarra e Chico dos Teclados. De forma bem-humorada, ela costuma chamar o grupo de “a banda dos Chicos”, já que o guitarrista, o tecladista, o motorista e a própria cantora compartilham o mesmo nome de origem: Francisco.

Mulher no palco
Ser mulher à frente de uma banda de forró ainda impõe desafios, segundo a cantora. “A frente do palco sempre foi muito marcada pelo masculino. Em alguns mercados, uma mulher não tem o mesmo peso que um homem”, avalia.
Mesmo assim, ela afirma que não abre mão da própria identidade artística.
“Eu não baixo a cabeça. Não abro mão do meu Forró das Antigas, da minha seresta. A gente se adapta aos lugares, mas sem perder quem a gente é”, diz.
Caminhada em Batalha
Construir uma carreira sendo artista local também exigiu paciência. Nega Show reconhece o apoio de outros músicos da cidade nos primeiros passos e destaca o acolhimento crescente do público.
“Não veio rápido, não veio de imediato. Mas eu vejo que a gente plantou uma semente e hoje está colhendo os frutos”, afirma.
Ela admite que o ditado “santo de casa não faz milagre” ainda aparece, mas diz se sentir cada vez mais abraçada pela cidade. “Hoje eu sinto que minha cidade reconhece mais o nosso trabalho, e isso me deixa muito feliz.”
Pausas, maternidade e reconhecimento
Ao longo da trajetória iniciada ainda na adolescência, Nega Show precisou fazer pausas por conta da maternidade — momentos que, segundo ela, foram marcados pela saudade do palco.
“Não é só dinheiro. Quem vive da música trabalha por amor. Eu sentia muita falta de estar ali”, conta.
Hoje, um dos momentos mais gratificantes é liderar o próprio grupo. “É algo que é meu, que eu não dependo mais dos outros. Ver que as pessoas gostam, elogiam, isso é muito gratificante”, afirma.

O título de Artista Local do Ano 2025 veio como confirmação desse caminho. “Às vezes bate insegurança. Receber esse reconhecimento mostra que a gente está no caminho certo”, diz.
Neste 13 de dezembro, data que marca o Dia Nacional do Forró, a artista celebra não apenas o ritmo, mas o sustento e a identidade que ele representa.
“O forró é a cara do nordestino. Ele traz alegria e sustento para muitas famílias, e eu sou uma delas”, afirma.
Com agenda intensa neste fim de ano, a cantora relata cuidados redobrados com a saúde vocal, mas celebra o período mais movimentado do calendário musical.
“É corrido, é cansativo, mas é maravilhoso”, resume.
Para o futuro, os planos envolvem crescimento gradual. “Queremos melhorar repertório, estrutura, iluminação, equipamentos. Tudo devagarzinho, dentro das possibilidades, para oferecer uma experiência ainda melhor ao público”, explica.
A trajetória de Nega Show segue sendo construída passo a passo, com fé, identidade e a certeza de que o forró continua sendo mais que um ritmo: é caminho, trabalho e expressão de quem ela é.



