Tarifa dos EUA sobre mel ameaça exportações e pode gerar prejuízo no Piauí

Produtores não renovam contratos e setor estima perdas de até R$ 95 milhões

A manutenção da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre o mel brasileiro tem impedido produtores do Piauí de renovar contratos com empresas norte-americanas e de abrir novos mercados internacionais neste início de 2026. A situação preocupa o setor, que estima prejuízo de até R$ 95 milhões caso o impasse comercial se mantenha ao longo do ano.

A taxação foi mantida após decisão da Casa Branca, anunciada em novembro de 2025, que retirou tarifas de produtos como café, carne bovina, sucos e bananas, mas manteve o mel fora da lista de isenções. O produto é um dos principais itens da agricultura familiar piauiense destinados à exportação.

Segundo Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Piauiense (Casa Apis), o impacto financeiro é direto, já que cerca de 95% da produção estadual é destinada ao mercado externo, enquanto o consumo interno representa apenas uma pequena parcela das vendas.

De acordo com o diretor-geral da entidade, Sitônio Dantas, além da tarifa, o setor também enfrentou quebra de safra em 2025. Em 2024, o estado exportou 10.034 toneladas de mel, enquanto em 2025 o volume caiu para 6.500 toneladas, uma redução de cerca de 35%.

Os contratos de exportação firmados anteriormente foram mantidos até dezembro de 2025, mas, desde então, não houve renovação nem assinatura de novos acordos. Segundo o dirigente, a incerteza em relação à tarifa aplicada pelos Estados Unidos tem travado as negociações.

Outro fator que agrava o cenário é a estiagem prolongada no estado. A seca atrasou o início da safra de mel, que normalmente começa em janeiro, e os estoques ficaram zerados após as últimas exportações realizadas no fim do ano passado.

Foto: Divulgação/CCOM

A dependência do mercado externo também limita alternativas para o setor. Conforme a Casa Apis, o consumo interno de mel é baixo e concentrado principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país. Além disso, a busca por novos mercados enfrenta a concorrência de países como Índia, Turquia, Ucrânia e Irã, o que dificulta a ampliação das exportações.

Em 2024, o mel piauiense movimentou cerca de R$ 100 milhões. Com a queda de produção em 2025 e a manutenção da tarifa em 2026, o setor avalia que as perdas podem se aproximar desse valor, afetando diretamente famílias que dependem da apicultura no semiárido do estado.