Relógio do Juízo Final é ajustado e fim do mundo fica mais próximo

Cientistas citam riscos nucleares, conflitos armados e avanço da inteligência artificial

O Boletim dos Cientistas Atômicos ajustou nesta terça-feira (27) o Relógio do Juízo Final para mais perto da meia-noite, marco simbólico que representa uma catástrofe global. Com a mudança, o indicador passou a marcar 85 segundos para a meia-noite, redução de quatro segundos em relação ao ano anterior, atingindo o ponto mais próximo já registrado.

Segundo a organização, sediada em Chicago, a decisão levou em conta o aumento dos riscos nucleares, o enfraquecimento de acordos internacionais de controle de armas e o comportamento das principais potências nucleares, como Estados Unidos, Rússia e China. Também foram considerados conflitos em andamento, como a guerra na Ucrânia e tensões no Oriente Médio, além de preocupações com o uso e a governança da inteligência artificial.

Divulgação Bulletin of the Atomic Scientists

Criado em 1947, após a Segunda Guerra Mundial, o Relógio do Juízo Final tem o objetivo de alertar a sociedade sobre ameaças globais à sobrevivência humana. Esta foi a terceira vez, nos últimos quatro anos, que os cientistas decidiram aproximar o marcador da meia-noite.

Durante o anúncio, a jornalista Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2021, destacou o impacto da desinformação no cenário global. Em comunicado, ela afirmou que a disseminação acelerada de conteúdos falsos contribui para crises políticas, sociais e institucionais em diferentes países.

Em entrevista à agência Reuters, a presidente e diretora-executiva do Boletim, Alexandra Bell, afirmou que o ajuste reflete falhas na liderança global diante dos riscos atuais. Ela destacou que o cenário nuclear permanece preocupante, com estruturas diplomáticas sob pressão, ameaça de retomada de testes nucleares e aumento das tensões entre países que possuem armas atômicas.

Entre os pontos citados está o vencimento do Novo Tratado Start, último acordo de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia, previsto para fevereiro. O Boletim também mencionou conflitos e tensões em regiões como a Europa Oriental, o Oriente Médio e a Ásia, além do crescimento de posturas nacionalistas e confrontos geopolíticos.

O Boletim dos Cientistas Atômicos foi fundado em 1945 por pesquisadores envolvidos no Projeto Manhattan, entre eles Albert Einstein e J. Robert Oppenheimer, e desde então acompanha e divulga análises sobre riscos globais.