Após o período de Carnaval, muitas pessoas enfrentam sintomas de ressaca, como dor de cabeça, boca seca, náusea e fadiga. Especialistas explicam que o quadro é resultado de uma combinação de processos inflamatórios, metabólicos e neurológicos desencadeados pelo consumo de álcool.
Segundo a nutricionista Patricia Neri Cavalcanti, o etanol ingerido é transformado no fígado em acetaldeído, substância tóxica associada ao mal-estar. A desidratação causada pelo álcool explica sintomas como dor de cabeça, sede, fraqueza e tontura, enquanto a irritação do estômago contribui para náuseas e desconforto abdominal.
O endocrinologista Clayton Macedo afirma que a ressaca ocorre quando o nível de álcool no sangue já caiu, mas o organismo ainda lida com efeitos inflamatórios e hormonais. O álcool também inibe o hormônio antidiurético, aumentando a diurese e favorecendo a desidratação. Além disso, pode provocar hipoglicemia, fragmentar o sono e reduzir sua qualidade, o que contribui para cansaço e irritabilidade no dia seguinte.
A intensidade da ressaca varia de pessoa para pessoa. Fatores genéticos, condições do fígado, uso de medicamentos e o tipo de bebida influenciam o metabolismo do álcool. Bebidas com maior presença de congêneres — substâncias formadas durante a fermentação — tendem a intensificar os sintomas. Entre elas estão vinho tinto, uísque e conhaque. Cerveja apresenta efeito intermediário, enquanto vodca e gim costumam causar menos ressaca, embora a quantidade ingerida siga sendo o principal fator.
O tempo de recuperação depende de vários fatores, como quantidade consumida, alimentação, hidratação e qualidade do sono. Em média, o fígado metaboliza de meia a uma dose de álcool por hora, mas os efeitos podem durar entre 12 e 24 horas.
Especialistas recomendam procurar atendimento médico caso haja sintomas como vômitos persistentes, confusão mental, dor intensa, palpitações ou sangramentos. Para aliviar a ressaca, a orientação é priorizar hidratação, repouso e alimentação leve. Água de coco, isotônicos ou soro caseiro podem ajudar a repor eletrólitos, enquanto frutas, caldos e proteínas magras auxiliam na recuperação.
O uso de medicamentos exige cautela. O paracetamol deve ser evitado logo após consumo excessivo de álcool, devido ao risco de toxicidade hepática. Anti-inflamatórios também podem irritar o estômago e sobrecarregar os rins em pessoas desidratadas. Especialistas ressaltam que não há substância capaz de neutralizar rapidamente os efeitos do álcool, e a principal recomendação continua sendo evitar excessos e manter hidratação adequada.
