Polícia Federal investiga trend que simula agressões contra mulheres

Vídeos viralizaram nas redes e motivaram ação de ministérios e da AGU

A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a divulgação de vídeos nas redes sociais que simulam agressões contra mulheres após rejeições amorosas. O conteúdo viralizou nos últimos dias em plataformas digitais e passou a ser alvo de apuração.

Os vídeos ficaram conhecidos como trend “caso ela diga não” e circularam principalmente no TikTok. A investigação foi iniciada após denúncia apresentada à Advocacia-Geral da União, que encaminhou o caso para análise das autoridades federais.

Foto: Reprodução

Nas gravações, jovens aparecem encenando reações violentas após uma suposta recusa em situações românticas, como pedidos de namoro. Em alguns casos, os criadores simulam socos, chutes e ataques com faca contra manequins que representam mulheres.

Diante da repercussão, a Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, vinculada à Advocacia-Geral da União, enviou uma notícia-crime à Polícia Federal solicitando a apuração dos fatos.

Após a abertura do inquérito, a Polícia Federal também solicitou a remoção dos conteúdos identificados na plataforma onde os vídeos foram publicados.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública enviou um ofício ao TikTok Brasil solicitando esclarecimentos sobre as medidas adotadas para conter a disseminação desse tipo de conteúdo na rede social.

O documento foi elaborado por diferentes áreas da pasta, incluindo a Secretaria Nacional de Direitos Digitais, a Secretaria Nacional de Segurança Pública e a Secretaria Nacional do Consumidor.

No ofício, o ministério pede informações sobre os sistemas de moderação utilizados pela plataforma, incluindo ferramentas automatizadas de detecção de conteúdos ilegais, revisão humana e monitoramento de tendências associadas a violência ou discurso de ódio.

O TikTok Brasil terá prazo de cinco dias para responder ao pedido de esclarecimentos encaminhado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Foto: Reprodução

O governo federal também solicitou informações sobre eventual monetização das publicações, buscando identificar se perfis responsáveis pelos vídeos receberam remuneração ou benefícios financeiros pelo alcance obtido nas redes.

Segundo as autoridades, registros técnicos e metadados das publicações foram encaminhados ao Laboratório de Operações Cibernéticas da Secretaria Nacional de Segurança Pública para auxiliar na análise das informações.

Em nota conjunta, o Ministério das Mulheres e o Ministério da Justiça afirmaram que conteúdos que sugerem agressões contra mulheres podem contribuir para banalizar a violência de gênero.

Dados citados pelas autoridades indicam que o Brasil registra, em média, quatro feminicídios e cerca de dez tentativas do crime por dia, cenário que tem motivado o fortalecimento de políticas públicas de enfrentamento à violência.

Segundo o governo, o crescimento de comunidades online associadas à chamada “machosfera” também tem sido acompanhado por órgãos públicos devido à circulação de discursos hostis às mulheres.

A investigação conduzida pela Polícia Federal busca identificar os responsáveis pela criação e disseminação dos conteúdos enquanto autoridades acompanham a circulação desse tipo de material nas plataformas digitais.