Ficus benjamim – a figueira secular ao lado da matriz

Crônica revive a história da árvore que testemunhou décadas de vida na praça

Foto: Reprodução/George Machado Tabatinga

Até metade do Século XX, Batalha era cheia de figueiras e mangueiras, espalhadas por toda a cidade. Notadamente ao redor das suas praças mais famosas.

Primeiro, as mangueiras, que, por ordem do prefeito da época, foram retiradas, restando apenas duas. Deixo essa história por conta de vocês: pesquisem.

Não demorou muito, ainda na década de 70, e frondosas figueiras foram arrancadas. Na Praça da Matriz, sobraram apenas duas: uma na frente da Casa Paroquial e a outra ao lado da Igreja, de frente para a atual quadra do coreto.

No final dos anos 1990, as tradicionais quadras da matriz foram pavimentadas com pisos de cimento e pedra, o que sufocou as árvores com a falta de água e o calor escaldante que castiga a região o ano todo. Aos poucos, a saudosa “figueira do padre” ou da casa paroquial foi perdendo o vigor e morreu.

Anos se passaram até que a outra figueira, local da saudosa alvorada do meio-dia nos tempos da Banda Manoel Fabiano, sob a batuta do querido Mestre Quinca, definhasse também. Antes disso, porém, nosso querido padre Evandro pensou em derrubá-la, talvez por causa da reforma da igreja e por motivos estéticos. Assim como eu, muitos o desaconselharam, e a teimosa árvore continuou servindo de abrigo nas horas quentes do dia e de apoio para os barraqueiros dos festejos amarrarem redes em seus galhos.

A banda já não usava mais o local para as retretas por causa do coreto inaugurado por volta de 2010. No entanto, a velha figueira ainda serviu de abrigo para barraqueiros e transeuntes até dezembro de 2025. As boas chuvas do inverno de 2026 não adiantaram, pois o velho benjamim, testemunha ocular de inúmeros festejos e muita prosa, perdeu o vigor; sua copa frondosa virou um esqueleto de árvore de Natal. Alguns passantes param em frente e relembram sua pujança, e só. Nem mesmo a banda de música lhe prestará uma homenagem. Simplesmente acabou seu tempo. Poucos se lembrarão de sua existência. Mas eu guardarei na memória seus serviços e algumas fotos para sempre.

_por George Machado Tabatinga, cronista e pesquisador cultural