
A falta de água continua fazendo parte da rotina de moradores de diversos bairros de Batalha. Relatos recebidos pelo Diário de Caraíbas apontam que famílias dos bairros Vila Kolping e Formigueiro seguem enfrentando falhas frequentes no abastecimento prestado pela Águas do Piauí, concessionária responsável pelos serviços de água e esgoto no município.
Segundo os moradores, o problema não é recente e persiste mesmo após cobranças à empresa, reuniões com representantes da concessionária, debates na Câmara Municipal e uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI).
Os relatos apontam situações distintas, mas com o mesmo resultado: a falta de água nas torneiras. Há moradores que afirmam enfrentar interrupções diárias no abastecimento, enquanto outros relatam permanecer mais de uma semana sem receber água em casa.
“Tem residência que falta água todo dia. Aqui em casa é assim”, relatou um morador à reportagem.
Outro morador afirmou que, no bairro Vila Kolping, a situação se arrasta há meses. Segundo ele, a água chega de forma irregular e, em muitos casos, apenas durante a madrugada.
“Tem gente que precisa acordar durante a noite para encher caixas d’água, baldes e outros recipientes. Se não fizer isso, passa o dia sem água”, contou.
Moradores também relatam que já realizaram abaixo-assinados e registraram reclamações junto à concessionária. No entanto, afirmam que o problema continua sem uma solução definitiva.
Problema antigo e recorrente
As reclamações sobre a falta de água em Batalha não são novas.
Em abril de 2025, o Diário de Caraíbas mostrou que moradores dos bairros Vila Kolping, Morro da Saudade e Pedra do Letreiro enfrentavam dificuldades para receber abastecimento regular. Na época, moradores relataram períodos superiores a dois meses sem fornecimento normal de água.
Naquela ocasião, consumidores informaram que a então justificativa apresentada era a ocorrência de problemas em equipamentos do sistema de abastecimento, especialmente bombas de captação.
Passado mais de um ano, os relatos continuam semelhantes. Segundo moradores ouvidos nesta semana, ao buscarem informações junto à empresa, a explicação mais recorrente continua sendo a existência de falhas ou problemas em bombas do sistema.
Câmara discutiu situação, mas problema continua
A crise no abastecimento também chegou ao Poder Legislativo municipal.
Em março de 2025, vereadores aprovaram um requerimento solicitando a realização de uma audiência pública para discutir a situação com representantes do sistema de abastecimento, do Ministério Público e da sociedade civil.

Meses depois, em setembro do mesmo ano, representantes da Águas do Piauí participaram de uma reunião na Câmara Municipal para apresentar esclarecimentos e discutir possíveis soluções para os problemas enfrentados pela população, especialmente em bairros como Vila Kolping e Pedra do Letreiro.
Na ocasião, foram discutidas alternativas para melhorar a distribuição de água em áreas mais elevadas da cidade, incluindo a instalação de equipamentos para aumentar a pressão da rede.
Entretanto, passados mais de nove meses desde a reunião e mais de um ano após as primeiras discussões públicas sobre o tema, moradores afirmam continuar enfrentando os mesmos problemas relatados anteriormente. Apesar das cobranças e dos debates realizados, a falta de água segue sendo uma das principais reclamações em diversos bairros de Batalha.
Ministério Público acionou concessionária
A situação também chegou ao Ministério Público do Estado do Piauí.
Em abril deste ano, o MPPI ajuizou ação civil pública contra a Águas do Piauí para garantir o abastecimento regular no bairro Vila Kolping.
Segundo o órgão, havia registros de moradores que permaneceram mais de 110 dias sem acesso regular à água, dependendo de caminhões-pipa para atender necessidades básicas.
Na ação, o Ministério Público solicitou que a concessionária elaborasse e executasse um projeto de melhoria do sistema, além de apresentar informações detalhadas sobre os consumidores afetados. O órgão também pediu a suspensão da cobrança de tarifas dos moradores prejudicados até a normalização do abastecimento.
Mudança de concessionária
A Águas do Piauí assumiu os serviços de abastecimento e esgotamento sanitário no estado após a extinção da Agespisa, dentro do processo de implementação do Novo Marco Legal do Saneamento.

A concessionária, pertencente ao Grupo Aegea, passou a operar em mais de 220 municípios piauienses com a previsão de investimentos voltados à ampliação e modernização da infraestrutura de saneamento.
Entre os moradores ouvidos pela reportagem, entretanto, são frequentes as comparações entre o serviço atual e o anteriormente prestado pela Agespisa. Muitos afirmam que, apesar dos problemas enfrentados no passado, o abastecimento era considerado mais regular do que o observado atualmente.
Cobrança por uma solução definitiva
Enquanto a situação segue sem resolução, moradores afirmam conviver com uma rotina marcada pela incerteza sobre quando haverá água disponível em casa.
A principal reclamação é que as contas continuam chegando regularmente, mesmo em períodos prolongados de interrupção no abastecimento.
Para os moradores, a expectativa é que a concessionária apresente uma solução definitiva para um problema que há anos afeta diferentes bairros de Batalha e que, segundo os relatos, continua comprometendo atividades básicas do dia a dia.
O Diário de Caraíbas deixa espaço aberto para manifestação da Águas do Piauí sobre as reclamações apresentadas pelos moradores.



