Por Nonato Silva

E se todos nós tivéssemos a chance de olhar para o futuro e ver, com clareza, o dia da nossa partida?
E se soubéssemos a hora exata da nossa passagem para a outra vida?
Tenho certeza de que o nosso jeito de viver hoje seria completamente diferente.
Na infância, a gente acha que tudo é perfeito. O mundo é brincadeira, é inocência, é acreditar que nada vai acabar.
Na adolescência, tudo está errado. Ninguém nos entende. A pressa é crescer, conquistar a liberdade, ser dono de si.
Chega a vida adulta e batizamos ela de “vida real”.
É aqui que subimos degraus, conquistamos cargos, e enchemos o peito para dizer: “Eu consegui. Fiz por merecer”.
É aqui que a vaidade fala mais alto: a roupa fina, o sapato chique, o brilho, o bronzeado, o cabelo arrumado. É o corpo pedindo aplauso, enquanto a alma, muitas vezes, fica quieta lá dentro, até com vergonha de fazer parte daquele corpo.
É também o tempo do amor. Das paixões acesas, dos namoros, do luar. Tudo parece eterno.
Mas passam-se as décadas.
E o tempo, que não esquece nada, vem cobrar.
Chegam os cabelos brancos. As dores. A pele marcada. As pernas que não sustentam mais o mesmo corpo. A memória que falha.
Os amores viram memória. Os familiares se espalham pelo mundo.
E na última hora, voltamos ao começo: só nós e Deus. Nada mais. Só o infinito. Só o mistério.
Para o cristão, resta a fé na ressurreição.
Para o espírita, a esperança da reencarnação.
Para o ateu, o silêncio do fim.
Por isso eu pergunto a vocês, e pergunto a mim mesmo:
E se a gente driblasse a imaginação agora e se colocasse lá no ponto final?
E se a gente começasse a viver, de hoje em diante, diferente de como viveu até aqui?
E se for hoje?
E se não houver mais tempo para analisar essas palavras?
Se agora mesmo nos perguntassem: “Você está pronto?”, qual seria a nossa resposta?
Que essa pergunta não nos paralise, mas nos desperte.
Que a gente use o tempo que tem para amar melhor, perdoar mais rápido, agradecer com mais verdade e viver com mais essência.
Com carinho e reflexão,
Professor Nonato Silva
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