Mais da metade dos condutores mortos no Piauí em 2025 não tinha CNH

Os dados revelam o impacto da falta de habilitação na gravidade dos sinistros em rodovias federais do estado

A falta de habilitação tem sido um fator determinante na gravidade dos acidentes de trânsito nas rodovias federais do Piauí. Segundo dados divulgados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na quarta-feira (2), 55% dos condutores mortos em acidentes no primeiro trimestre de 2025 não possuíam Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

O levantamento aponta que, de janeiro a março deste ano, foram registrados 235 condutores feridos em sinistros, dos quais 68 (28,9%) eram inabilitados. No mesmo período, 20 condutores perderam a vida em acidentes, sendo 11 deles (55%) sem CNH.

Os números de 2024 também mostram um cenário preocupante. Dos 1.151 condutores feridos em acidentes no ano passado, 433 (37,6%) eram inabilitados. Entre os 121 condutores mortos, 73 (60,3%) não possuíam CNH.

Embora o número absoluto de condutores inabilitados envolvidos em acidentes tenha diminuído no primeiro trimestre de 2025 em relação a 2024, a proporção de mortes entre eles continua elevada. A PRF destaca que, em ambos os períodos analisados, o percentual de condutores mortos sem habilitação é maior do que o de feridos, o que indica que a inexperiência e a falta de capacitação podem aumentar a gravidade dos sinistros.

As autuações por dirigir sem CNH seguem em níveis preocupantes. Em 2024, 6.443 condutores foram flagrados dirigindo sem habilitação, um aumento em relação aos 6.285 registros de 2023. No primeiro trimestre de 2025, já foram aplicadas 1.487 autuações, demonstrando que a prática continua comum nas rodovias piauienses.

Programas estaduais buscam reduzir acidentes

Para enfrentar esse problema, o governo estadual lançou dois programas voltados à formação de condutores habilitados e mais conscientes no trânsito. O “CNH Social” e o “Motociclista Protegido” permitirão que alunos da rede pública de ensino obtenham a CNH gratuita na categoria A, voltada para motociclistas, além de receberem capacetes sem custo.

Os programas são destinados a estudantes do ensino médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), desde que estejam matriculados em escolas públicas, tenham pelo menos 18 anos e residam em municípios integrados ao Sistema Nacional de Trânsito. Além disso, os participantes precisarão atender aos critérios estabelecidos pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e pelo Detran, incluindo a participação em cursos de formação.

Em 2025, serão oferecidas 10 mil CNHs e 10 mil capacetes gratuitos, com uma meta ambiciosa de beneficiar 60 mil condutores até 2030. As aulas teóricas serão transmitidas pelo Canal Educação, enquanto o Detran ficará responsável pela formação prática dos futuros condutores.

O objetivo da iniciativa é reduzir o número de acidentes, especialmente entre motociclistas, que são os mais vulneráveis. Somente nos três primeiros meses de 2025, 72% das mortes no trânsito envolveram vítimas sem CNH, evidenciando a necessidade de investimentos em educação e segurança viária.

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