Exame confirma sanidade mental de acusado de envenenar família em Parnaíba

Laudo afastou hipótese de insanidade mental e processo seguirá normalmente

Uma perícia médica realizada no Instituto Médico Legal (IML) de Teresina concluiu que Francisco de Assis, acusado de participar do envenenamento que matou oito pessoas em Parnaíba, litoral do Piauí, tem plena capacidade mental e pode responder criminalmente pelos crimes atribuídos a ele.

O exame, feito em 12 de agosto a pedido da Defensoria Pública, avaliou o perfil psicológico do réu. Testemunhas, incluindo a enteada de 17 anos que sobreviveu ao envenenamento, também foram ouvidas.

Segundo decisão da 1ª Vara Criminal de Parnaíba, o laudo atestou a “plena capacidade de autodeterminação e compreensão do caráter ilícito do fato”, afastando a possibilidade de inimputabilidade. Com isso, o processo segue para a audiência de instrução e julgamento marcada para esta sexta-feira (5).

Primeira audiência foi adiada

A primeira audiência estava marcada para 30 de julho, por videoconferência, mas foi adiada. O juiz, o Ministério Público e as defesas entenderam que a ausência da ré Maria dos Aflitos poderia prejudicar os trabalhos.

Outro motivo foi a falta do laudo de sanidade mental de Francisco de Assis Pereira da Costa, companheiro de Maria e também réu no caso. O documento deve ser apresentado até 4 de setembro, razão pela qual ele não participará da sessão desta semana.

O caso

O processo investiga o envenenamento de dez pessoas, com oito mortes confirmadas. Sete das vítimas eram da mesma família e uma era vizinha. Outras duas sobreviveram, o que levou a acusações também por tentativa de homicídio.

Os crimes são atribuídos a Maria dos Aflitos da Silva, apontada como principal acusada, a Francisco de Assis e a Francisco de Assis Pereira da Costa. Eles respondem por oito homicídios qualificados e três tentativas de homicídio.

Cronologia das mortes

  • 22 de agosto de 2024: Ulisses Gabriel (8 anos) e João Miguel (7 anos), netos de Maria dos Aflitos, morreram envenenados. Inicialmente, a vizinha Lucélia Maria foi presa, mas a investigação apontou que o crime teria sido articulado por Maria e Francisco de Assis.
  • 1º de janeiro de 2025: Veneno foi colocado no arroz servido em almoço da família. Morreram Manoel Leandro (18 anos), filho de Maria; Maria Lauane (3 anos), Maria Gabriele (4 anos) e Igno Davi (1 ano), netos da acusada; além de Francisca Maria (32 anos), filha da ré e mãe das crianças.
  • 22 de janeiro de 2025: Maria Jocilene da Silva (41 anos), ex-nora de Maria, também morreu após ser envenenada. A polícia afirma que ela tinha relacionamento com a acusada.

As sobreviventes foram Maria Jocilene, vítima de tentativa anterior em 1º de janeiro, e as crianças Lívia Maria Leandra (17 anos) e Jhonatan Nalbert (7 anos).

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