Após quase 40 anos de tentativas, Celeste Lucas da Silva, de 101 anos, conquistou o direito à aposentadoria por idade. Moradora de Boa Vista, em Roraima, ela iniciou o pedido ainda em 1985, quando tinha 62 anos, mas só em março de 2025 a Justiça reconheceu o benefício. O pagamento começou a ser feito no mês seguinte.
Conhecida como Vó Celeste, ela nasceu em 1923, no município de Bonfim, e passou grande parte da vida trabalhando na roça. Ao lado do marido, Cirino Trajano, criou 15 filhos cultivando banana, mandioca, macaxeira e outras culturas. Viúva desde 1985, recebia pensão do companheiro, mas não conseguia se aposentar.
Segundo familiares, a dificuldade estava ligada às regras vigentes na época, que reconheciam o direito de aposentadoria rural, em geral, apenas para o homem. Tentativas feitas ao longo das décadas foram barradas por falta de documentos ou critérios legais.
O processo atual foi retomado em 2020, quando Celeste tinha 97 anos. Em 2023, a Justiça reconheceu o tempo de contribuição, mas negou o benefício porque ela já não residia em área rural. Em novembro de 2024, uma nova ação foi apresentada. Desta vez, a decisão foi favorável e, em 2025, a centenária conseguiu o direito.
Atualmente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) exige para aposentadoria por idade rural ao menos 15 anos de atividade no campo, com idade mínima de 60 anos para homens e 55 para mulheres.
De acordo com a família, o valor do benefício vai ajudar nas despesas com alimentação, consultas médicas e medicamentos. “Foi uma luta grande, mas ficamos com a sensação de dever cumprido por realizar o sonho dela”, afirmou o advogado Rhichard Magalhães, que é casado com uma das netas de Celeste.
Hoje, aos 101 anos, Vó Celeste leva uma rotina simples, cercada pelos filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Mora com a filha mais nova, Elizabeth, em Boa Vista, e mantém hábitos de vida ligados ao campo, como descascar feijão para as refeições e descansar na varanda de casa.
Em novembro, a centenária completará 102 anos, celebrando o novo ciclo já como aposentada.
*Com informações do G1 (veja aqui)



