O Brasil já contabiliza 43 casos de intoxicação por metanol relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, segundo autoridades de saúde. O metanol é um tipo de álcool altamente tóxico, muitas vezes usado de forma ilegal na produção de bebidas falsificadas.
Os primeiros sintomas podem ser confundidos com uma embriaguez comum, o que dificulta a identificação precoce e atrasa o tratamento.
O que acontece no corpo após a ingestão de metanol
- Primeiros minutos até 1h: o metanol é rapidamente absorvido pelo organismo e distribuído para os tecidos, inclusive cérebro e placenta. Os sintomas podem ser leves ou inexistentes.
- Entre 2h e 12h: o fígado metaboliza o metanol em formaldeído, depois em ácido fórmico, responsável pela toxicidade.
- De 12h a 24h: ocorre acúmulo de ácido fórmico no sangue, provocando acidose metabólica. Sintomas comuns: náusea, vômito, dor abdominal, dor de cabeça intensa, tontura, fraqueza, confusão mental e alterações visuais, que vão desde turvação até perda súbita da visão.
- Entre 24h e 72h: sem tratamento, o quadro pode evoluir para cegueira irreversível, arritmias, choque circulatório, insuficiência renal, coma e morte.
Por que os sintomas demoram a aparecer?
O corpo demora horas para transformar o metanol em ácido fórmico, que é o verdadeiro causador dos efeitos tóxicos. Em casos em que há ingestão simultânea de etanol, o processo pode ser ainda mais lento, pois as duas substâncias competem pela mesma enzima no fígado.
Diferença entre metanol e etanol
- Metanol: obtido por síntese industrial, usado em solventes, combustíveis e álcool adulterado. Não deve ser ingerido.
- Etanol: produzido pela fermentação de açúcares, presente em bebidas alcoólicas, antissépticos e combustíveis. Pode ser ingerido, mas apenas com moderação.
As autoridades reforçam o alerta para que a população evite o consumo de bebidas de origem duvidosa, especialmente em situações de preços muito abaixo do mercado.
