Mastercard suspende cartões do Will Bank após liquidação decretada pelo BC

Banco Central apontou insolvência da instituição ligada ao Banco Master

A Mastercard anunciou, na terça-feira (20), a suspensão do uso dos cartões do Will Bank em sua rede. A decisão envolve a fintech vinculada ao Banco Master e foi comunicada após monitoramento do cumprimento das regras operacionais exigidas pela bandeira.

Em nota, a Mastercard informou que acompanhava há algum tempo as operações do Will Bank, assim como os órgãos reguladores. Segundo a empresa, mudanças no atendimento às obrigações e requisitos regulatórios motivaram a suspensão dos cartões.

Nesta quarta-feira (21), o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. De acordo com o BC, a medida foi adotada diante do comprometimento da situação econômico-financeira, da insolvência da instituição e do vínculo de interesse com o Banco Master.

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, figura entre os controladores da Will Financeira. O Banco Central também nomeou o liquidante do Banco Master, Eduardo Bianchini, para conduzir o processo de liquidação da Will Financeira e determinou a indisponibilidade de bens dos controladores e ex-administradores.

Além de Vorcaro, constam como controladores da instituição a Will Holding Financeira S.A., Master Holding Financeira S.A., 133 Investimentos e Participações Ltda., Armando Miguel Gallo Neto e Felipe Wallace Simonsen.

Em novembro de 2025, o Banco Central já havia decretado a liquidação extrajudicial de empresas do Conglomerado Master, após a prisão de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal, no âmbito de investigações sobre fraude bancária. À época, foram liquidados o Banco Master S/A, Banco Master de Investimento S/A, Banco Letsbank S/A e a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

Segundo o BC, a decisão foi motivada por grave crise de liquidez e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. O Banco Master Múltiplo S/A, que detém o Will Bank, foi submetido ao Regime Especial de Administração Temporária (Raet), mecanismo que permite a reorganização da instituição por meio de soluções de mercado, como fusão, incorporação ou transferência de controle.

As investigações seguem em andamento e envolvem suspeitas de emissão de títulos de crédito falsos.