Piauí está entre estados com menor número de resgates do trabalho infantil

Estado registrou 57 afastamentos em 2025, segundo dados do Ministério do Trabalho

O Piauí ficou entre os estados brasileiros com menor número de resgates de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2025. De acordo com dados da Auditoria Fiscal do Trabalho e do Ministério do Trabalho e Emprego, foram registrados 57 afastamentos no estado ao longo do ano.

Com esse resultado, o Piauí apresentou o 9º menor número de casos do país, ficando distante dos estados com maiores registros, como Minas Gerais, com 830 ocorrências, São Paulo, com 629, e Mato Grosso do Sul, com 235.

Em todo o Brasil, 4.318 crianças e adolescentes foram retirados de situações de trabalho infantil em 2025, considerado o melhor resultado desde 2017. Do total, cerca de 80% estavam inseridos nas chamadas piores formas de exploração, que envolvem riscos à saúde, à segurança e ao desenvolvimento físico, psicológico e social.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

No Nordeste, o Piauí aparece com o quarto menor número de registros entre os nove estados da região. O volume ficou abaixo de estados como Pernambuco, que contabilizou 232 afastamentos, Bahia, com 165, Ceará, com 123, e Maranhão, com 132. No ranking nacional, o estado apresentou números superiores apenas aos registrados por Acre, Amapá e Tocantins, que tiveram, respectivamente, 1, 7 e 22 casos.

Os dados refletem a atuação de um projeto nacional de fortalecimento da Auditoria Fiscal do Trabalho, estruturado em quatro eixos estratégicos, incluindo o uso de dados para orientar ações, novas metodologias de fiscalização, capacitação de auditores e aprimoramento da gestão da inspeção.

Um dos destaques da estratégia foi a consolidação do Grupo Especial Móvel de Combate ao Trabalho Infantil (GMTI), que passou a contar, em 2025, com equipe fixa de fiscalização em todo o território nacional, priorizando regiões e setores com maior incidência dessa violação de direitos.

Segundo o coordenador nacional de fiscalização do trabalho infantil, Roberto Padilha, os resultados indicam avanços, mas reforçam a necessidade de ações permanentes. De acordo com ele, os números evidenciam a importância do planejamento estratégico, da atuação articulada e do fortalecimento institucional para garantir a proteção integral de crianças e adolescentes.

A legislação brasileira proíbe qualquer forma de trabalho antes dos 16 anos, com exceção da condição de aprendiz a partir dos 14. Atividades insalubres, perigosas, noturnas ou que prejudiquem o desenvolvimento são proibidas até os 18 anos.

Casos de trabalho infantil podem ser denunciados por meio do Sistema Ipê Trabalho Infantil, do Ministério do Trabalho e Emprego, ou pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia e encaminha as denúncias aos órgãos competentes.

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