“Era só a gente e Deus”, diz mãe sobre famílias atípicas em Batalha

Francisca Solange relata desafios e esperança com reabertura da APAE no município

Foto: Reprodução/Instagram

O relato da mãe Francisca Solange marcou a assembleia que discutiu a reabertura da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) em Batalha. O encontro reuniu autoridades, representantes de entidades e famílias que acompanham o processo de retomada da instituição.

Durante a reunião, Solange descreveu as dificuldades enfrentadas por famílias de crianças com deficiência no município. Segundo ela, a ausência de atendimento especializado obrigava muitos responsáveis a buscar acompanhamento em outras cidades.

“Como mãe, a reabertura da APAE aqui é uma porta que se abre para as famílias atípicas, uma vez que é muito cansativo para as mães irem até outros municípios em busca de atendimento para os filhos”, afirmou.

Ela também relatou a situação de famílias da zona rural, que enfrentam deslocamentos ainda mais longos para garantir acompanhamento especializado às crianças. O trajeto pode envolver sair das comunidades até Batalha e, em seguida, seguir viagem para outro município.

“Existem muitas mães da zona rural. Até elas chegarem em Batalha e pegarem outro transporte para ir até Esperantina é bastante exaustivo, tanto para elas como para a criança”, relatou.

Ao compartilhar experiências do cotidiano, Francisca Solange falou sobre momentos vividos por famílias durante crises enfrentadas por crianças com deficiência. Segundo ela, essas situações exigem atenção constante e envolvimento emocional dos responsáveis.

“Às vezes a gente precisa ser mais forte que a crise do nosso filho. Você abraça, aperta, enquanto passa aquela crise. Às vezes você deita no chão com ele também”, disse durante a assembleia.

Em outro trecho de sua fala, a mãe descreveu o sentimento vivido por muitas famílias antes da mobilização pela retomada da entidade no município.

“Quando ele olha para você e diz ‘desculpa, mãe’, dá vontade de chorar bem alto até Deus ouvir o seu choro, porque ali é só você, ele e Deus. E era assim que nós em Batalha nos sentíamos”, afirmou.

Solange também destacou a importância do envolvimento da sociedade e do poder público na construção de soluções para ampliar o atendimento às crianças com deficiência e apoiar as famílias que convivem diariamente com esses desafios.

“Eu diria não somente às autoridades, mas a toda a sociedade batalhense que nos envolvamos nessa luta para mostrar que também somos capazes de fazer a diferença para as famílias de crianças atípicas”, declarou.

Ela também mencionou que muitas crianças neurodivergentes demonstram grande capacidade de desenvolvimento quando recebem acompanhamento adequado, citando exemplos de estudantes que apresentam avanços importantes no ambiente escolar.

Segundo a mãe, a expectativa das famílias é que a reabertura da APAE represente um processo gradual de fortalecimento do atendimento especializado no município, com a possibilidade de ampliação futura dos serviços oferecidos.

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