
A operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo o senador Ciro Nogueira e o empresário Daniel Vorcaro, dono do banco Master, é vista por investigadores como uma forma de aumentar a pressão para que o ex-banqueiro apresente novos fatos e provas em negociação de delação premiada.
Segundo informações ligadas às investigações, a avaliação é de que a Polícia Federal vem avançando nas apurações relacionadas ao banco mesmo sem depender diretamente de eventual colaboração de Vorcaro.
Daniel Vorcaro foi transferido em março do Presídio Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde passou a negociar um possível acordo de colaboração premiada.
Desde então, a PF realizou novas fases da Operação Compliance Zero. A mais recente, deflagrada nesta quinta-feira (7), teve como um dos principais alvos o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro.
Segundo investigadores, a fase mais recente da operação não foi baseada em depoimentos ou informações fornecidas por investigados, o que reforçaria o entendimento de que a PF já possui elementos próprios de prova.
Na última semana, a Polícia Federal também solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a análise de possível retorno de Vorcaro ao sistema prisional federal. De acordo com pessoas ligadas ao caso, o pedido teria ocorrido diante da demora na apresentação do material da delação.
Uma primeira versão da proposta de colaboração foi entregue nesta quarta-feira (7) à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O material inclui anexos relacionados a diferentes episódios investigados, com nomes de envolvidos, descrição de situações e apresentação de provas.
Segundo pessoas próximas às investigações, os órgãos responsáveis ainda irão analisar o conteúdo apresentado antes de discutir eventuais benefícios penais ao empresário. O entendimento atual, conforme relatos de bastidores, é de que não há previsão de perdão judicial.
O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou em nota que a defesa “repudia qualquer ilação de ilicitude” envolvendo a atuação parlamentar do senador.
Em comunicado, o gabinete do ministro André Mendonça afirmou que a colaboração premiada deve ser “séria e efetiva” para produzir efeitos e ressaltou que as investigações seguem normalmente, independentemente da existência de proposta de delação.



