PF investiga Ciro e irmão por relação com banco

Mandados foram cumpridos no Piauí e outros estados por decisão do STF

Foto: Reprodução

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Entre os alvos da operação estão o senador Ciro Nogueira e seu irmão, Raimundo Neto. Um dos mandados de busca e apreensão foi cumprido em uma loja de motocicletas ligada ao parlamentar, na zona Sudeste de Teresina.

Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a investigação, a operação busca aprofundar apurações envolvendo o banco Master e supostas vantagens indevidas relacionadas à atuação parlamentar.

Na decisão judicial citada pela investigação, a Polícia Federal menciona a apresentação da Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, protocolada por Ciro Nogueira em agosto de 2024. A proposta previa ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

Segundo a PF, mensagens analisadas indicariam que o texto da emenda teria sido elaborado por integrantes ligados ao banco Master e posteriormente reproduzido pelo senador. A investigação também aponta supostos pagamentos mensais de R$ 300 mil relacionados ao parlamentar.

O ministro André Mendonça autorizou ainda o bloqueio de bens, direitos e valores que somam R$ 18,85 milhões.

O primo de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, Felipe Cançado Vorcaro, foi preso temporariamente durante a operação. Já Raimundo Neto, irmão do senador, foi alvo de mandados de busca em residência e empresa imobiliária em Teresina. Ele deverá utilizar tornozeleira eletrônica, está proibido de sair do país e de manter contato com outros investigados.

Em nota enviada à imprensa, a defesa de Ciro Nogueira afirmou que “repudia qualquer ilação de ilicitude” relacionada à atuação do senador e declarou que o parlamentar está à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades.

A defesa também afirmou que medidas investigativas “graves e invasivas” foram tomadas com base em troca de mensagens envolvendo terceiros e que o caso deverá ser discutido nas instâncias superiores do Judiciário.

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