MPPI recomenda que delegado Charles Pessoa pare de divulgar presos nas redes

Órgão também quer regulamentação sobre uso das redes sociais por policiais civis


Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) recomendou que o delegado da Polícia Civil Charles Pessoa deixe de divulgar, em redes sociais pessoais ou de terceiros, imagens, vídeos e informações envolvendo presos, investigados e operações policiais.

A recomendação foi publicada no Diário Oficial do MPPI nesta terça-feira (2) e integra um procedimento que apura a divulgação de conteúdos relacionados à atividade policial em plataformas digitais.

Segundo o documento, o delegado deve se abster de publicar ou compartilhar imagens de pessoas presas, algemadas, investigadas, custodiadas ou submetidas a abordagens policiais. A recomendação também orienta que não sejam divulgados conteúdos que exponham indivíduos em situações consideradas degradantes, constrangedoras ou humilhantes.

O Ministério Público ainda recomenda que não sejam divulgados interrogatórios, confissões, declarações de suspeitos, relatos sobre facções criminosas ou informações que possam resultar em autoincriminação ou imputação de crimes a terceiros.

Outro ponto destacado é a orientação para que não sejam divulgadas informações relacionadas a investigações em andamento, estratégias operacionais, apreensões de drogas, armas, vestígios ou outros dados que possam comprometer o trabalho policial.

Além disso, o MPPI recomenda que símbolos institucionais da Polícia Civil, como fardamentos, viaturas, armamentos, distintivos e logomarcas, não sejam utilizados para fins pessoais, promocionais, comerciais, político-eleitorais ou de entretenimento.

Regulamentação para toda a corporação

A recomendação também foi encaminhada à Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), à Delegacia-Geral da Polícia Civil e à Corregedoria-Geral da corporação.

O MPPI estabeleceu prazo de até 20 dias para que os órgãos informem se irão acatar a recomendação e apresentem as medidas adotadas. Entre elas, está a criação de normas específicas para regulamentar o uso das redes sociais por policiais civis em todo o estado.

De acordo com o Ministério Público, a futura regulamentação deverá estabelecer critérios para a divulgação de conteúdos relacionados à atividade policial, incluindo regras sobre exposição de presos, divulgação de operações e uso de símbolos institucionais.

Polícia Civil diz que analisará recomendação

O delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, afirmou que a instituição irá analisar a recomendação expedida pelo Ministério Público.

Segundo ele, a corporação já possui normas internas sobre a divulgação de imagens e a atuação de servidores nas redes sociais, mas avaliará se há necessidade de adequações.

“Já temos regulamentação na Delegacia-Geral vedando várias condutas. Vou verificar, junto com a minha assessoria, a recomendação do Ministério Público para saber se há algum conflito com o nosso ato normativo”, declarou.

Luccy Keiko destacou ainda que a Polícia Civil pretende manter a população informada sobre as ações de segurança pública, observando os limites estabelecidos pela legislação.

“É um direito da população saber o que está acontecendo, mas de forma que a lei seja respeitada”, afirmou.

O delegado-geral acrescentou que a discussão sobre a divulgação de imagens e informações deve alcançar toda a Polícia Civil e demais profissionais da área de segurança pública.

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