
O fenômeno El Niño voltou a se estabelecer no Oceano Pacífico Equatorial e já começa a provocar reflexos no clima do Piauí. Entre os efeitos observados estão o aumento das temperaturas e noites mais quentes, segundo avaliação do climatologista Werton Costa.
De acordo com o especialista, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico já está influenciando as condições atmosféricas da região. Ele explica que o fenômeno ainda está em fase de formação, mas deve ampliar sua atuação sobre a atmosfera no fim de junho, passando a interferir no regime de ventos e chuvas.
“O El Niño está em formação. As águas do Pacífico estão bastante aquecidas. E agora no final de junho ele acopla, ou seja, ele começa a influenciar a atmosfera, o regime de ventos e chuvas. Mas o fato é que o piauiense já está sentindo, devido à baixa cobertura de nuvens, mais incidência radioativa, sol e consequentemente calor”, afirmou Werton Costa.
Segundo o climatologista, os efeitos já podem ser percebidos principalmente durante a noite. “Já estamos percebendo à noite, principalmente na capital, bem mais aquecidas que a média normal para o período”, destacou.
O retorno do El Niño também foi confirmado por centros meteorológicos internacionais e órgãos oficiais de monitoramento climático. Conforme informações do Centro de Previsão Climática da NOAA, o fenômeno deve ganhar intensidade nos próximos meses e pode alcançar a categoria forte durante a primavera austral de 2026.
A tendência também é apontada pela Agência Meteorológica do Japão (JMA), pelo Centro Climático da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APCC), pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), pelo Departamento de Meteorologia da Austrália (BoM), pela Organização Meteorológica Mundial (WMO) e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
De acordo com o monitoramento mais recente, na primeira semana de junho o índice Niño 3.4 atingiu +0,7°C, valor que caracteriza oficialmente o estabelecimento das condições de El Niño. Outros indicadores também registraram aquecimento significativo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
As projeções do conjunto de modelos climáticos North American Multi-Model Ensemble (NMME) indicam fortalecimento gradual do fenômeno até o verão de 2026-2027. Os dados apontam ainda 63% de probabilidade de que o El Niño atinja a categoria de muito forte entre novembro, dezembro e janeiro.
Historicamente, episódios de El Niño estão associados à redução das chuvas em áreas das regiões Norte e Nordeste do Brasil, aumentando os riscos de estiagens, diminuição da umidade do solo e impactos sobre os recursos hídricos. Já na Região Sul, o fenômeno costuma favorecer volumes de chuva acima da média.
O INMET ressalta que os impactos podem variar de acordo com cada região do país. No entanto, quanto maior a intensidade do El Niño, maior tende a ser sua influência sobre os padrões climáticos, afetando temperaturas, precipitações e a ocorrência de eventos climáticos associados ao fenômeno.



