Polícia detalha esquema que usava rede de postos para lavar dinheiro e fraudar combustíveis

Investigação aponta vínculo do PCC com empresários; prejuízo ao consumidor é apurado

A Operação Carbono Oculto 86, deflagrada nessa quarta-feira (5), revelou um esquema de lavagem de dinheiro, fraude fiscal e adulteração de combustíveis com atuação direta no Piauí. A investigação identifica que o Primeiro Comando da Capital (PCC) teria infiltrado uma estrutura financeira no setor, movimentando cerca de R$ 300 milhões em empresas sediadas no Estado.

Segundo o inquérito, o grupo utilizava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para mascarar a origem dos recursos. Mais de 70 CNPJs e 504 notas fiscais eletrônicas foram identificados como parte das transações investigadas.

De acordo com o presidente do Instituto de Metrologia do Piauí (Imepi), Júlio Macedo, o golpe causava prejuízo ao consumidor e ao fisco estadual. “A cada 20 litros que o consumidor abastece, 10% é a diferença que não chega ao tanque”, afirmou. Placas eletrônicas de bombas recolhidas estão sendo enviadas para perícia do Inmetro.

A venda da Rede de Postos HD, em dezembro de 2023, chamou atenção da polícia e se tornou ponto central da apuração. A transação ocorreu seis dias após a criação da Pima Energia Participações Ltda., que assumiu o controle das unidades com apoio de outras holdings. O empresário Denis Villani é apontado como articulador das operações no Nordeste.

Também são investigados os antigos proprietários da Rede HD, Haran Sampaio e Danillo Soares, além de pessoas consideradas laranjas. Entre elas, Moisés Eduardo Pereira e Salatiel Soido, inseridos em quadros societários para ocultar os verdadeiros responsáveis.

Foto: SSP-PI

A polícia afirma ter identificado transferências financeiras ligadas ao PCC, incluindo uma de R$ 702 mil enviada por Villani a uma empresa em nome de terceiro. O grupo também teria iniciado a construção de uma base para armazenamento de combustível adulterado na rodovia que liga Teresina a Altos.

O delegado Anchieta Nery, que conduz o caso, avalia que a facção passou a apostar em atividades legais para transformar lucros do tráfico em capital lícito. “Pegam o capital do narcotráfico e investem em postos, construtoras e distribuidoras de medicamentos”, disse.

Entre os alvos está ainda o ex-vereador de Teresina Victor Linhares, citado no inquérito por movimentação bancária considerada suspeita. Segundo a investigação, ele teria recebido um PIX de R$ 230 mil em conta ligada ao BK Bank, sem posterior movimentação.

Os materiais apreendidos seguem sendo analisados. Até o momento, não houve prisões relacionadas à operação. A SSP-PI afirma que a apuração continua para identificação completa dos responsáveis e do destino dos valores.

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