“Só vão olhar para Batalha quando começar a morrer gente”, alerta vereador

Sargento Machado cobra ações do Estado e aponta falhas na segurança pública local

Durante a última sessão ordinária de 2025 da Câmara Municipal de Batalha, realizada na noite da terça-feira (16), o vereador Sargento Machado (PT) voltou a usar a tribuna para alertar sobre a situação da segurança pública no município.

Ao longo do pronunciamento, o vereador citou a ausência de delegado titular, a redução do efetivo da Polícia Civil e dificuldades operacionais enfrentadas pelas forças de segurança. Segundo ele, Batalha está há cerca de cinco meses sem delegado titular. “Hoje, só tem dois policiais civis para atender a população de Batalha”, afirmou, ao relatar licenças, transferências e servidores próximos da aposentadoria.

De acordo com o parlamentar, a falta de delegado compromete a resolutividade das ocorrências registradas no município. “Você vai na delegacia, faz um boletim de ocorrência e não tem resolutividade. Não tem o delegado para dar procedimento”, disse. Ele alertou ainda que, caso o quadro se agrave, procedimentos poderão passar a ser conduzidos por delegacias de cidades vizinhas.

Sargento Machado também criticou a ausência de reforço policial em datas comemorativas e eventos de grande porte. Segundo ele, durante as celebrações dos 170 anos de Batalha, não houve aumento no efetivo. “Você sabe quantos policiais vieram para reforçar o policiamento? Nenhum. Sabe quantos policiais tinham que servir ontem? Três”, declarou. O vereador mencionou ainda a falta de combustível para viaturas da Polícia Militar, situação que afirmou já ter relatado outras vezes em plenário.

Em uma das falas mais contundentes do discurso, o parlamentar afirmou que o Estado só dará atenção ao município diante de um cenário mais grave. “Os comandos da segurança pública no Piauí só vão abrir os olhos para Batalha quando começar a morrer batalhenses”, disse.

Ao tratar da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, de responsabilidade do município e aprovada pelos vereadores na mesma sessão, Sargento Machado afirmou ter ficado satisfeito com os valores previstos para saúde e educação, mas demonstrou preocupação com a área da segurança pública.

Segundo ele, a LOA prevê cerca de R$ 558 mil para a segurança, valor que considera insuficiente. O vereador destacou ainda a ausência de previsão orçamentária para a realização de concurso da Guarda Municipal. “Isso quer dizer que nós não iremos dar o primeiro passo na tão sonhada formação da Guarda Municipal no município de Batalha”, afirmou.

O parlamentar ressaltou que, sem previsão orçamentária, não há como avançar na criação da Guarda Municipal ainda nesta gestão, mesmo que exista interesse político. Ele também comparou os recursos destinados à segurança com outras áreas, como o esporte, afirmando que não é contrário aos investimentos, mas defendeu maior equilíbrio.

Durante o discurso, Machado mencionou a existência de uma decisão judicial que, segundo ele, obriga o Estado a manter um delegado titular em Batalha. “Decisão judicial não vence. Não tem prazo de validade”, afirmou, ao defender que a determinação estaria sendo descumprida.

Ao encerrar a fala, o vereador convocou lideranças políticas a se unirem para cobrar providências junto ao Judiciário e à Secretaria de Segurança Pública. “Ninguém vive sem segurança. Não estão dando o real valor que tem uma segurança pública no nosso município”, concluiu.