Ao longo das últimas décadas, ela testemunhou gerações. Foi sombra para crianças, ponto de encontro, cenário de festas, silêncio de conversas, descanso no calor do meio-dia. Está ali ao lado das paredes centenárias da Igreja Matriz, como fiel companheira do tempo.
Em crônica publicada em 2016, o padre Leonardo Sales descreveu a figueira como presença constante na vida da cidade. Recordou as brincadeiras da infância sob seus galhos, as histórias ouvidas à sua sombra, os festejos e as memórias que se acumulam quando o tempo parece parar.
Hoje, a árvore apresenta sinais claros de que está morrendo. O que para alguns pode parecer apenas o ciclo natural da vida, para muitos é também o risco de perder um símbolo coletivo.
Não se trata apenas de preservar madeira e folhas. Trata-se de preservar memória.
Cidades não são feitas apenas de ruas e prédios. São feitas de referências afetivas. De lugares que atravessam gerações. De símbolos que ajudam a contar quem somos.
A figueira já resistiu a podas polêmicas, ao crescimento do entorno, às mudanças do tempo. Suas raízes respeitaram os degraus da Matriz. Sua sombra abrigou histórias. Sua presença apontou para o infinito, como escreveu o padre.
Se ainda há algo que possa ser feito para preservar a figueira, é preciso que se faça. Com responsabilidade técnica, com orientação adequada e com o envolvimento de quem tem competência para avaliar a situação.
Se não for possível salvá-la, que ao menos sua história seja registrada, reconhecida e honrada.
Porque quando uma cidade perde seus símbolos, perde também parte da sua narrativa.
A figueira da Matriz é memória viva de Batalha. E memória não se substitui.